SUPERANDO A CRISE NA RELAÇÃO

Geralmente chamamos de crise tudo que sai fora de um padrão ou de uma rotina e que não estamos prontos para lidar com mudanças, até mesmo as positivas.
Conforme acontece o conhecimento mútuo entre duas pessoas, vamos percebendo que temos valores e projetos comuns e também algumas diferenças, mas que no final, as afinidades são mais fortes e dominam o todo.
Os relacionamentos passam por crises porque basicamente todas as pessoas mudam todos os dias. Ninguém nunca é a mesma pessoa do dia anterior e nem sempre as mudanças são melhores para ambas as partes. Daí, começam as divergências. O que precisamos entender é que além da atração natural que sentimos, também tem estes outros fatores (diferenças e afinidades) que pesamos, conscientemente ou não.
A melhor maneira de lidar com as fases ruins de uma relação é aprender a administrar as emoções e lidar com elas. Devemos começar olhando o que precisa ser mudado e o que pode ser aproveitado em um momento de crise. Todo relacionamento visa suprir determinadas expectativas. E a maior de todas é ser feliz e viver em harmonia com alguém, mas quando este relacionamento entra numa crise é preciso recapitular o que fomos buscar ali, nesta relação e quanto conseguimos satisfazer de nossas necessidades.

É preciso ter consciência de que as crises não serão evitadas e por isso, as mudanças devem ser vistas como um novo ânimo para o casal. Sem dúvida o diálogo é a chave da solução. A pessoa deve falar o que sente e o que pensa, tanto para criticar como para elogiar. O que o casal não pode fazer é acumular as “mágoas e palavras engolidas” no decorrer da relação e jogar tudo de uma vez na hora da crise. Só vai piorar.
John Gray, terapeuta americano, autor de vários best sellers afirma que, se o casal consegue superar uma crise grave, passa para uma fase de mais harmonia. Ele pesquisou alguns casais que superaram crises difíceis e, após cinco anos, verificou através da pesquisa que continuavam juntos e felizes.
Todo e qualquer relacionamento tem seus altos e baixos. Às vezes, tem momentos em que estamos mais envolvidos e, às vezes, em outros momentos, é o outro que o está. Mas o principal fator que leva as pessoas a ficarem juntas e superar estes altos e baixos é o QUERER – todos os envolvidos na relação – seja no casamento, namoro, sociedade, amizade… – todos têm que, necessariamente, querer. Como bem fala aquele ditado: “quando um não quer, dois não brigam”.
Só o amor e o sexo não bastam. No dia a dia do casal, vários detalhes ganham importância. Podem melhorar ou destruir um relacionamento. Ciúme bem dosado aquece o relacionamento. Ciúme excessivo pode ser o sinal perigoso e o início de uma relação turbulenta e cheia de cobranças. Quando o ser amado é muito desligado ou inacessível desperta dúvidas e insegurança no relacionamento. Você deseja a presença da pessoa e, no entanto, nem sempre ela está disponível ou atenta aos seus sentimentos.
Para se querer a manutenção de uma relação é necessário não apenas amor (ou admiração) – por incrível que pareça –, é preciso ponderar sobre a relação propriamente dita e sobre a pessoa ou pessoas – dependendo do caso – envolvidas.
Uma crise num relacionamento vem, muitas vezes – e dependendo do grau da crise –, para que possamos avaliar não só a relação, mas toda a nossa vida e as escolhas que fizemos do decorrer da mesma. Nada na nossa vida é segmentado. Embora possamos separar as diversas situações em que vivemos em “seções”, tudo se encaixa com tudo, fazendo o todo que chamamos de “minha vida”.
Então precisamos, primeiramente, querer manter a relação. Mas como eu posso querer manter uma relação que, neste momento, faz com que eu não me sinta importante e/ou amado pela pessoa, ou que não me sinta devidamente amparado em meus projetos. Em suma, que neste momento me faz sofrer?
Num momento de crise devemos então, mais do que nunca, recapitular o que vivemos dentro desta relação – todas as felicidades e frustrações aí vivenciadas – e pesar os prós e os contras da possibilidade ou não da manutenção da dita cuja.
Ao se fazer esta recapitulação é necessário assumir a responsabilidade sobre a nossa parte do que foi vivido conjuntamente, seja do bom ou do ruim.
É muito importante nesta análise dividir “didaticamente” a situação em três instâncias: eu, o outro e a relação: Como eu me desenvolvi como pessoa neste tempo que vivi esta relação e qual foi a minha contribuição para o desenvolvimento da mesma? Como o outro se desenvolveu como pessoa neste tempo que viveu este relacionamento e qual foi contribuição dele para o desenvolvimento da mesma? E, por último, mas não menos importante, como a relação, propriamente dita, se desenvolveu enquanto vocês estiveram juntos e como esta relação contribuiu para o crescimento de ambos enquanto indivíduos?
Quais eram minhas crenças e necessidades quando do início deste relacionamento? Quais eram as crenças e necessidades do outro quando do início este relacionamento? O relacionamento se desenvolveu em que direção: das minhas crenças e necessidades ou das do outro? Por que?
Esta avaliação é importante, não para se ter argumentos um contra o outro, mas para que possamos ter claro quais eram nossas expectativas nesta relação – atualmente em crise – e se elas foram supridas ou não, para ambos. Toda expectativa acontece em cima das nossas necessidades, crenças e valores.
Precisamos ter claro que relacionamento é a possibilidade de trocar afeto e crescer como indivíduos, e também, onde podemos contribuir para o crescimento do outro.
E nós, como indivíduos, crescemos – querendo ou não! Só que às vezes cada um cresce em direções, setores e em ritmos diferentes e antes, se havia entendimento e projetos comuns, parece que, de repente, cada um está falando uma língua diferente. Aspiramos coisas que o(a) parceiro(a) parece não estar mais interessado(a) ou, ao contrário, o(a) parceiro(a) parece querer coisas que nem imaginávamos que pudesse desejar. Começa a parecer-nos um(a) estranho(a)! E a culpa não é de ninguém: é bom isto ficar bem claro!
E neste momento estabelece-se claramente a crise!
Precisamos abrir mão do orgulho e do egoísmo, tanto para se ficar numa relação e mantê-la como para se cair fora dela. Eis o paradoxo! Às vezes não abrimos mão de uma relação só por orgulho ou egoísmo, e às vezes caímos fora também pelos mesmo motivos.
Permitir ao parceiro que tenha planos individuais ou algum hobby pessoal onde não estamos incluídos é necessário e saudável para a própria relação – como também nós devemos ter algo pessoal que não o inclua. Sentir-se preterido pode indicar algum distúrbio emocional ou carência que deve ser suprida. E ai, movidos por tais dificuldades, tornamo-nos egoístas ou sentimo-nos feridos em nosso orgulho. Então, depois de se colocar em disponibilidade para a relação (querer), fazer uma retrospectiva da mesma (crescimento de ambos e o rumo que tomaram), abrir mão do egoísmo e do orgulho e, por fim, antever honestamente quais as perspectivas possíveis que tem esta relação. Ai sim, poderemos superar, ou não, a crise que se desenvolveu e instalou.
Como saber se deve abandonar o relacionamento ou dar outra chance? Perdoar uma traição e tentar novamente? Tolerar o ciúme excessivo e apostar no amor? Até que ponto seu relacionamento suportará as alfinetadas e os obstáculos do dia a dia?
Procure ver o saldo do seu relacionamento. Relacione as qualidades dele. Vale a pena uma segunda chance? A pessoa amada quer recomeçar? Está disposta a ceder, conversar, discutir a relação? Quando o ser amado está disponível ao diálogo, o entendimento fica muito mais fácil. Nessa fase perigosa, o orgulho é um obstáculo muito perigoso. Não deixe que a cólera ou o orgulho o impeça de pensar com clareza acerca das dificuldades. Não tome decisões baseadas no amor próprio ferido ou na raiva. Espere a poeira assentar.
Cada caso é um caso. Não compare o seu relacionamento com o de outro casal. O respeito não deve faltar ! Quando o casal começa a se desrespeitar com ofensas ou agressões o sinal vermelho de perigo alerta para talvez, um final eminente.
Trabalhe sua autoestima. Nos momentos de turbulência nem sempre ela estará forte o bastante para superar o medo da perda. Você precisa confiar em si mesmo para superar os dias difíceis. Uma personalidade sempre insegura atrairá relacionamentos frágeis ou dominadores. Não se anule para agradar o outro. Quando o tempo passar, você não saberá mais resgatar sua individualidade. Anular-se não é ceder, às vezes, em nome da paz do relacionamento. Anular-se é colocar em primeiro plano a pessoa amada e, em segundo plano, você. Quando amar só traz dor e sacrifícios, necessário reavaliar a relação.
A humanidade precisa acreditar muito no amor! No amor real, forte e com estruturas suficientes para viver um relacionamento feliz. Isso ainda é possível!
Não há obstáculo eterno ou dificuldade insuperável para um casal que verdadeiramente se ama.
Nós somos o produto de uma sociedade fabricada, o produto do meio, dos nossos pensamentos, sentimentos e atitudes. Saiba o que você quer de um relacionamento para não se frustrar depois. Separe os sonhos e as falsas expectativas do que é real, a diferença entre orgulho e amor próprio. E saiba o quanto vale o perdão num relacionamento. Vale muito!
Invista muito em você mesmo através da nutrição mental. Nutrição mental é se beneficiar de bons pensamentos, otimismo, boas ocupações e um ambiente salutar.
Amar é muito fácil! Procurar um amor para “ser feliz” é infrutífero. Trabalhe primeiro sua felicidade e, assim, a possibilidade de encontrar um amor saudável será maior. Se você não consegue ser feliz sozinho será muito mais difícil encontrar essa harmonia quando encontrar alguém. Pense nisso!
Nossa maturidade psíquica é que nos dar força para superar os próprios limites e compreender a pessoa amada. Superar a rotina, a solidão, o desamor e a frustração. Nossa maturidade emocional é que vai dosar a expectativa em relação ao outro.
No entanto, compensa lutar por um grande amor, porque todas as tentativas de viver um amor verdadeiro valem a pena sempre. E o verdadeiro amor vence sempre!
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